Comprar Casa para Arrendar em Portugal Rendeu Menos no 2.º Trimestre de 2026: Análise e Dados do Mercado
O mercado imobiliário em Portugal continua a reajustar-se. Segundo os dados mais recentes do portal Idealista, publicados no segundo trimestre de 2026, a rentabilidade bruta de comprar uma casa para colocar no mercado de arrendamento registou uma descida.
Embora o arrendamento continue a ser uma opção sólida de investimento e apresente hoje um nível de risco mais baixo, a compressão das margens (ou yields brutas) obriga os investidores a adotarem estratégias muito mais criteriosas e seletivas.

Fonte: Freepik
O Cenário Atual: Por que razão a rentabilidade está a cair?
A rentabilidade bruta média nacional fixou-se em 6,2% no segundo trimestre de 2026. Este valor representa um recuo em termos homólogos:
-
6,2% no 2.º trimestre de 2026.
-
6,9% no 2.º trimestre de 2025 (uma quebra de 0,7 pontos percentuais).
-
7,2% no 2.º trimestre de 2024 (uma quebra acumulada de 1 ponto percentual em dois anos).
Os Principais Fatores desta Tendência:
-
Preços de venda resilientes: O preço de aquisição das casas para compra manteve-se em níveis muito elevados e com crescimento sólido em várias regiões, impulsionado pela escassez crónica de oferta de habitação e pela procura contínua.
-
Rendas sob pressão: Por outro lado, os valores pedidos pelos senhorios para novas rendas não conseguiram acompanhar o ritmo de subida dos preços de venda. Esta moderação é justificada pela inflação que afeta o bolso das famílias, pelas novas regulações do mercado de arrendamento e pelo aumento gradual da oferta de imóveis de longa duração no mercado.
As Cidades Mais e Menos Rentáveis de Portugal
O mercado nacional não é homogéneo. Os dados do Idealista mostram que as cidades do interior e de dimensão média são as que oferecem as melhores taxas de retorno bruto, uma vez que o preço de compra do imóvel é consideravelmente mais baixo.
O Top das Cidades com Maior Retorno:
-
Castelo Branco: 8,1%
-
Vila Real: 8,1%
-
Bragança: 7,6%
-
Santarém: 6,6%
-
Coimbra: 6,4%
-
Leiria: 6,0%
As Capitais com Menor Retorno (Grandes Centros Urbanos):
-
Lisboa: 4,3% (A rentabilidade mais baixa do país, devido ao preço altíssimo por metro quadrado na compra).
-
Porto: 4,8%
-
Faro: 4,8%
-
Aveiro: 5,0%
-
Funchal: 5,2%
A relação Risco vs. Retorno: Embora Lisboa e Porto tenham taxas de rentabilidade bruta mais baixas (na casa dos 4%), estas cidades continuam a atrair muitos investidores por apresentarem um risco muito mais reduzido. Nestas áreas metropolitanas, a probabilidade de ter a casa desocupada é quase nula e o potencial de valorização do imóvel a longo prazo é substancialmente maior.
O Arrendamento Face a Outros Segmentos
Para quem procura rentabilizar o capital no imobiliário, a habitação não é o único caminho. O estudo revela que outros segmentos imobiliários continuam a oferecer retornos médios brutos mais elevados do que o residencial:
-
Escritórios e Lojas: Historicamente apresentam taxas de rentabilidade superiores às da habitação em Portugal, embora exijam contratos mais complexos e maior sensibilidade à conjuntura económica corporativa.
O Papel dos Incentivos Fiscais do Governo
Para tentar dinamizar o mercado de arrendamento de longa duração e apoiar os senhorios, o Governo avançou com medidas que atenuam esta queda de rentabilidade bruta na ótica líquida. Destaca-se a redução do IRS para 10% em contratos com rendas moderadas, bem como uma maior eficácia nos mecanismos de despejo em caso de incumprimento grave por parte do inquilino.
(Dados recolhidos através do estudo periódico do portal Idealista e divulgados pelo Público Imobiliário)
Notícia retirada do Website: Publico
